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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Orações Subordinadas Adjetivas: Exercícios + gabarito

1 - Leia atentamente as frases a seguir e explique as diferenças de sentido existentes entre elas.


Está comprovada a participação dos policiais, cujos nomes tinham sido encontrados na agenda do traficante.
Está comprovada a participação dos policiais cujos nomes tinham sido encontrados na agenda do traficante.

No primeiro período, faz-se uma afirmação de caráter genérico:  todos os policiais da corporação constavam na agenda do traficante. A oração subordinada adjetiva é, nesse caso, explicativa.

No segundo  período, está-se afirmando que apenas alguns policiais,  aqueles que constavam na agenda do traficante, se comprova a participação. O termo policiais tem seu sentido particularizado, limitado pela oração subordinada adjetiva restritiva ("cujos nomes tinham sido encontrados na agenda do traficante", introduzida pelo relativo cujos). A oração subordinada adjetiva é, nesse caso, restritiva.

Leia o poema abaixo:


Canção amiga

Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.
Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.

Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.

Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tomei outras mais belas.

Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.

Carlos Drummond de Andrade

2 -  Reescreva o título do primeiro texto, substituindo o adjetivo pela oração adjetiva equivalente.

R. Canção que é amiga

3 -  No último parágrafo do primeiro texto, há uma oração subordinada adjetiva.

a) Transcreva-a.
R. "que faça acordar os homens"

b) Classifique-a.
R. Oração subordinada adjetiva restritiva

c) Que termo antecedente ela está modificando?
R. Uma canção

d) Qual a classe gramatical da palavra que que a introduz?
R. verbo

e) Qual a função sintática desse que?
R. Sujeito

4 -  Classifique a oração "em que minha mãe se reconheça", do texto de Drummond.
R. Oração subordinada adjetiva restritiva

5 -  Classifique a oração "que passa em muitos países", do texto de Drummond.
R. Oração subordinada adjetiva restritiva

6 -  As três orações destacadas nas questões 2, 3 e 4 têm a mesma classificação. O que isso significa no texto de Drummond?
R. Que o eu lírico não está se referindo a qualquer canção e sim a que ele preparou.

Extraídos da Gramática de Pasquale e Ulisses

PRONOMES RELATIVOS: USOS E FUNÇÕES

O pronome relativo QUE


Esse pronome pode ser usado para substituir pessoa ou coisa, que estejam no singular ou no plural.

Sintaticamente, o relativo que pode desempenhar várias funções:

a) sujeito: O homem que pensa vale por dois.
b) objeto direto: "Bebi o café que eu mesmo preparei". (Manuel Bandeira)
c) objeto indireto: "Alegria, alegria" é uma das músicas de que mais gosto.
d) complemento nominal: As teses a que me mantenho fiel são muito polêmicas.
e) predicativo: O pessimista que eu era deu lugar a um insuportável sonhador.
f) agente da passiva: As teses por que você foi seduzido são puro delírio.
g) adjunto adverbial (no caso, de lugar): A cidade em que nasci fica no Vale do Paraíba.

Pelos exemplos acima, percebe-se que o pronome relativo deve ser precedido da preposição apropriada a cada função que exerce. E o caso do objeto indireto (gostar de algo), do complemento nominal (fiel a algo), do agente da passiva (ser seduzido por alguém ou algo) e do adjunto adverbial de lugar (nascer em algum lugar). Na língua escrita formal, a omissão da preposição nesses casos é considerada erro.

O pronome relativo CUJO

Este pronome indica posse (algo de alguém).
Na construção do período, deve-se colocá-lo entre o possuidor e o possuído (alguém cujo algo)
Por exemplo nas orações Encontrei  o mecânico. Você frequenta a oficina do mecânico. O substantivo repetido mecânico possui uma oficina. Deveremos, então usar o pronome relativo cujo, que será colocado entre o possuidor e o possuído: Algo de alguém = Alguém cujo algo. Então, tem-se a oficina do mecânico = o mecânico  cujo a oficina. Não se pode, porém, usar artigo (o, a, os, as) depois de cujo. Ele deverá contrair-se com o pronome, ficando: cujo + o = cujo; cujo + a = cuja; cujo + os = cujos; cujo + as = cujas. Então a frase ficará o rapaz cuja namorada. Somando as duas orações, tem-se
Encontrei o mecânico cuja oficina você frequenta.


Na maior parte das vezes, este pronome relativo terá a função de adjunto adnominal.


O pronome relativo ONDE



Onde

Onde só é pronome relativo quando equivale a em que. Quando se diz "Onde você nasceu?", não é possível pensar em pronome relativo; afinal, o período é simples, e você sabe que o pronome relativo só aparece no período composto, para substituir numa oração subordinada um termo da oração principal. No caso, onde
é advérbio interrogativo.
Quando pronome relativo, onde só pode ser usado na indicação de lugar, atuando sintaticamente como adjunto adverbial de lugar:

Quero uma cidade tranqüila, onde possa passar alguns dias em paz.
A cidade onde nasci fica no Vale do Paraíba.

Orações Subordinadas Adjetivas - Aspectos semânticos: orações restritivas e explicativas

Na relação que estabelecem com o termo que caracterizam, as orações subordinadas adjetivas podem atuar de duas maneiras diversas. Há aquelas que restringem o sentido do termo antecedente, individualizando-o  - são as chamadas subordinadas adjetivas restritivas - e aquelas que realçam um detalhe ou amplificam dados sobre o antecedente, que já se encontra suficientemente definido - são as subordinadas adjetivas explicativas. Observe:

Jamais teria chegado aqui, não fosse a gentileza de um homem que passava naquele momento.

O homem, que se considera racional, muitas vezes age animalescamente.

No primeiro período, a oração "que passava naquele momento" restringe e particulariza o sentido da palavra homem: trata-se de um homem específico, único, que se caracteriza, no caso, por estar passando por um determinado lugar num determinado momento. A oração, na verdade, limita o universo de homens, isto é,
não se refere a todos os homens. E, portanto, uma oração subordinada adjetiva restritiva. 

No segundo período, a oração "que se considera racional" não tem  sentido restritivo em relação à palavra homem: na verdade, essa oração apenas explicita uma ideia que já sabemos estar contida no conceito de homem. A oração não faz referência a um determinado homem, e sim ao conjunto de homens, a todos os homens, a qualquer homem. Trata-se, portanto, de uma oração subordinada adjetiva explicativa.

Se você ler atentamente em voz alta os dois períodos acima, vai perceber que a oração subordinada adjetiva explicativa é separada da oração principal por uma pausa, que, na escrita, é representada pela vírgula. É comum, por isso, que a pontuação seja indicada como forma de diferenciar as orações explicativas das
restritivas: de fato, as explicativas vêm sempre isoladas por vírgulas; as restritivas, não. Essa diferença é facilmente perceptível quando se está diante de um período escrito por outrem; no entanto, quando é preciso redigi-lo, é necessário levar em conta as diferenças de significado que as orações restritivas e as explicativas implicam (afinal, é quem está escrevendo que vai ter de colocar as vírgulas nesse caso!). Em muitos casos, a oração subordinada adjetiva será explicativa ou restritiva de acordo com o que se pretende dizer. Observe:

Mandei um telegrama para meu irmão que mora em Roma.
Mandei um telegrama para meu irmão, que mora em Roma.

No primeiro período, é possível afirmar com segurança que a pessoa que fala ou escreve tem, no mínimo, dois irmãos, um que mora em Roma e um que mora em outro lugar. A palavra irmão, no caso, precisa ter seu sentido limitado, ou seja, é preciso restringir seu universo. Para isso se usa uma oração subordinada adjetiva
restritiva. No segundo período, é possível afirmar com segurança que a pessoa que fala ou escreve tem apenas um irmão, o qual mora em Roma. A informação de que o irmão mora em Roma não é uma particularidade, ou seja, não é um elemento identificador, diferenciador, e sim um detalhe que se quer realçar.

Observe as diferenças de sentido produzidas nos períodos seguintes pelo uso de orações subordinadas adjetivas restritivas e explicativas:

O país que não trata a educação como prioridade não pode fazer parte do rol das nações civilizadas.
O país, que não trata a educação como prioridade, não pode fazer parte do rol das nações civilizadas.


No primeiro período, faz-se uma afirmação de caráter genérico, irrestrito, que se aplica a todo e qualquer país que não trata a educação como prioridade.
Restringindo a palavra país, a oração subordinada adjetiva restritiva limita, particulariza seu sentido, tornando-a aplicável a determinado grupo de países. No segundo período, faz-se referência a um pais cuja situação é bem conhecida por quem fala e por quem ouve. No caso, a informação de que ele não trata a
educação como prioridade é considerada um fato notório, a que se quer dar destaque.

Extraído da Gramática de Pasquale e Ulisses